Como usar inteligência artificial para estudar para os exames nacionais
O que propõem as orientações sobre IA na educação, em consulta pública desde 15 de outubro de 2026, e como usar a IA para estudar sem perder o que o exame avalia: o trabalho autónomo.
A 15 de outubro de 2026, o Ministério da Educação, Ciência e Inovação pôs em consulta pública, durante 30 dias, o documento «Inteligência Artificial na Educação: Orientações para a utilização responsável da IA em contexto educativo», preparado pelo EduQA. A versão final será enviada às escolas no início do 2.º período, a 4 de janeiro de 2027, mas as escolas podem aplicar as orientações desde já.
Este artigo resume o que o documento propõe e mostra como usar a IA para estudar de forma útil, sem perder de vista o que o exame nacional avalia.
O que as orientações propõem
Três modalidades para cada tarefa escolar:
- Sem IA: para observar o desempenho autónomo do aluno.
- IA de apoio: a ferramenta só pode ser usada nas finalidades e nas etapas definidas pelo professor.
- IA integrada: o uso de IA faz parte da tarefa ou é ele próprio objeto de análise e aprendizagem.
Cinco instrumentos de apoio: um semáforo para a utilização pedagógica da IA, a verificação prévia de uma atividade com IA, a indicação da utilização de IA nas tarefas, a verificação antes de entregar um trabalho feito com IA e um processo para a apreciação institucional de ferramentas.
Outros pontos importantes:
- Não se introduzem dados pessoais, trabalhos identificáveis, classificações, fotografias ou informação sensível em ferramentas que não estejam aprovadas para esse fim.
- Quando for pertinente, o uso de IA deve ser indicado no trabalho.
- São os professores que definem, antes de cada atividade, as condições de utilização da IA e os critérios de avaliação.
- Nos ensinos básico e secundário, os alunos devem aprender a perceber os limites da IA, a identificar erros e enviesamentos e a verificar informação, para não dependerem de respostas automáticas.
Como o documento está em consulta, pode mudar até à versão final.
O que isto quer dizer para quem se prepara para um exame
Nos trabalhos da escola, quem decide se a IA pode ser usada, e como, é o professor, tarefa a tarefa. Quando a usar, indique-o.
No exame nacional, as respostas são registadas no caderno de respostas, na sala de exame: conta apenas o que consegue fazer sozinho, no tempo da prova. A IA pode ajudar muito a estudar, desde que o treino final seja feito sem ela.
Cinco usos que ajudam
- Explicação depois de tentar. Resolva primeiro, sem ajuda. Só depois peça à IA que explique o passo em que errou. Tentar antes de ver a resposta é o que fixa a matéria.
- Perguntas, não respostas. Peça perguntas sobre um tema e responda sem consultar nada. Depois confira as respostas no manual.
- Outra forma de explicar. Quando uma explicação não resulta, peça outra, com um exemplo diferente (por exemplo, a diferença entre extremo e extremante de uma função).
- Verificação na fonte. A IA engana-se em contas, em factos e em pormenores de obras literárias, e fá-lo com segurança. Confirme no manual, nas Aprendizagens Essenciais e nos materiais da própria prova. Em Física e Química A, use os valores da tabela de constantes da prova: em 2026, o módulo da aceleração gravítica era 9,80 m s⁻², e não o valor que a IA assumir.
- Revisão da sua resolução. Depois de resolver um item de uma prova anterior, compare a sua resolução com os critérios de classificação oficiais, etapa a etapa. A IA pode ajudar a encontrar o que falta, mas é o critério que decide.
Três usos que prejudicam
- Pedir a resolução antes de tentar. Ler uma resolução certa dá a sensação de que se sabe fazer, e essa sensação desaparece no exame.
- Entregar como seu um texto feito pela IA. A autoria e a integridade do trabalho escolar são áreas de risco identificadas no próprio documento.
- Colocar dados pessoais (nome, fotografias de testes, classificações) em ferramentas não aprovadas pela escola.
Experimente: primeiro sem IA
Resolva as duas questões seguintes sem ajuda e só depois abra a resolução. Se errar, escreva por palavras suas porque é que a opção que escolheu estava errada. Essa explicação é o que a IA, ou a justificação de cada opção, deve servir para construir.
10.º ano · Estatística
Exemplo 1: Dados univariados
As classificações (em valores) de oito alunos num teste foram: 12, 14, 9, 15, 14, 11, 17 e 12. Um nono aluno, que faltou, fez o teste mais tarde e obteve 13 valores.
Ao juntar a classificação do nono aluno aos restantes dados, o que acontece à média, à mediana e ao desvio padrão?
- (A)A média e a mediana mantêm-se e o desvio padrão diminui.
- (B)A média mantém-se, a mediana mantém-se e o desvio padrão aumenta.
- (C)A média diminui, a mediana mantém-se e o desvio padrão diminui.
- (D)A média mantém-se, a mediana aumenta e o desvio padrão mantém-se.
Ver resposta e resolução
Opção correta: (A) A média e a mediana mantêm-se e o desvio padrão diminui.
Soma inicial: 104, média 13. Ordenados: 9, 11, 12, 12, 14, 14, 15, 17, com mediana (12 + 14) : 2 = 13. Com o 13, a média é 117 : 9 = 13 e a mediana (5.º valor de 9, 11, 12, 12, 13, 14, 14, 15, 17) é 13. A soma dos quadrados dos desvios à média continua a ser 44, mas divide-se por mais dados, pelo que o desvio padrão diminui.
- (A) Correta. A média dos oito valores é 104 : 8 = 13 e a mediana é 13; juntar um valor igual à média mantém ambas e reduz a dispersão.
- (B) Incorreta. Um valor igual à média não acrescenta desvio; a soma dos quadrados dos desvios fica igual e passa a dividir-se por mais dados.
- (C) Incorreta. A nova média é (104 + 13) : 9 = 13, igual à anterior.
- (D) Incorreta. Com nove dados ordenados, a mediana é o 5.º valor, que é 13, tal como antes.
Dica de estudo: Antes de fazer contas, pense no efeito: um dado igual à média não altera a média e aproxima o conjunto do centro, o que reduz a dispersão.
Questão autoral da Neves Scholar IA, elaborada com base nas Aprendizagens Essenciais (DGE); não é item de exame nacional.
11.º ano · Crescimento, renovação e diferenciação celular
Exemplo 2: Replicação do DNA
A replicação do DNA é semiconservativa, o que significa que cada molécula-filha
- (A)é formada por duas cadeias totalmente novas.
- (B)é formada por uma cadeia da molécula-mãe e por uma cadeia nova.
- (C)é formada por fragmentos de cadeias antigas e novas misturados.
- (D)é uma cópia de RNA da molécula de DNA original.
Ver resposta e resolução
Opção correta: (B) é formada por uma cadeia da molécula-mãe e por uma cadeia nova.
Na replicação, a dupla hélice abre-se e cada cadeia funciona como molde para a síntese de uma cadeia complementar, por complementaridade de bases (A-T, C-G). Cada molécula-filha conserva, assim, metade da molécula-mãe.
- (A) Incorreta. Nesse caso, a molécula-mãe manter-se-ia intacta, o que corresponde ao modelo conservativo.
- (B) Correta. Cada cadeia original serve de molde a uma cadeia complementar recém-sintetizada.
- (C) Incorreta. Isso corresponde ao modelo dispersivo, que foi rejeitado experimentalmente.
- (D) Incorreta. Isso descreve a transcrição, não a replicação.
Dica de estudo: Associe cada modelo de replicação (conservativo, semiconservativo e dispersivo) ao resultado esperado nas moléculas-filhas.
Questão autoral da Neves Scholar IA, elaborada com base nas Aprendizagens Essenciais (DGE); não é item de exame nacional.
Para organizar o estudo ao longo do ano, veja Técnicas de estudo que funcionam para os exames nacionais e Como estudar para os exames nacionais: um plano por semanas.
Fontes
- Governo de Portugal, Orientações para uso responsável da Inteligência Artificial na Educação em consulta pública por 30 dias (comunicado de 15 de outubro de 2026).
- EduQA, Consulta pública: orientações para a utilização da inteligência artificial na educação (consultado em outubro de 2026).
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