Português · Prova 639
Preparação para Português no ensino secundário
A disciplina de Português organiza-se nos domínios da Oralidade, Leitura, Escrita, Educação Literária e Gramática. Para cada ano, as Aprendizagens Essenciais fixam uma lista de obras e autores de leitura obrigatória. As questões desta página trabalham a Educação Literária e a Gramática, que se prestam a itens de escolha múltipla; a escrita e a oralidade pedem outro tipo de treino.
Objetivos de aprendizagem
- Interpretar textos literários de diferentes épocas, relacionando-os com o contexto histórico e cultural.
- Identificar temas, recursos expressivos e marcas de género nas obras de leitura obrigatória.
- Mobilizar conhecimento gramatical: funções sintáticas, orações, valor modal e aspetual, coesão e deixis.
- Reproduzir discursos e transformar frases do discurso direto para o indireto.
Temas por ano
10.º ano
- Poesia trovadoresca: cantigas de amigo, de amor e de escárnio e maldizer
- Fernão Lopes, Crónica de D. João I
- Gil Vicente, Farsa de Inês Pereira ou Auto da Feira
- Luís de Camões, Rimas e Os Lusíadas
- Gramática: funções sintáticas, orações e valor modal
11.º ano
- Padre António Vieira, Sermão de Santo António
- Almeida Garrett, Frei Luís de Sousa ou Viagens na Minha Terra
- Camilo Castelo Branco ou Alexandre Herculano
- Eça de Queirós, Os Maias ou A Ilustre Casa de Ramires
- Antero de Quental e Cesário Verde
- Gramática: coesão textual e deixis
12.º ano
- Fernando Pessoa: ortónimo, heterónimos e Mensagem
- Contos do século XX
- Poetas portugueses contemporâneos
- José Saramago, Memorial do Convento ou O Ano da Morte de Ricardo Reis
- Gramática: valor aspetual e reprodução do discurso
Exemplos de questões com resolução
3 de 25 questões autorais de Português preparadas pela Neves Scholar, com a justificação de cada opção.
10.º ano · Educação Literária
Exemplo 1: Luís de Camões, Rimas
Leia os versos iniciais de um soneto de Luís de Camões: Amor é um fogo que arde sem se ver, é ferida que dói, e não se sente; é um contentamento descontente, é dor que desatina sem doer.
Nestes versos, a caracterização do amor assenta sobretudo
- (A)em antíteses e paradoxos, que traduzem a natureza contraditória do sentimento.
- (B)em comparações com elementos da natureza, que tornam o amor sereno e harmonioso.
- (C)em hipérboles que exaltam a beleza física da mulher amada.
- (D)na narração de um episódio concreto vivido pelo sujeito poético.
Ver resposta e resolução
Opção correta: (A) em antíteses e paradoxos, que traduzem a natureza contraditória do sentimento.
O soneto procura definir o amor através de uma sucessão de metáforas construídas com antíteses e paradoxos. A acumulação de contradições sugere que o amor não se deixa explicar pela razão, tema central da lírica camoniana de influência petrarquista.
- (A) Correta. Cada verso junta ideias opostas («arde sem se ver», «contentamento descontente»), mostrando que o amor desafia a lógica.
- (B) Incorreta. Não há comparações nem serenidade: o amor surge como experiência contraditória e perturbadora.
- (C) Incorreta. Os versos definem o amor; não descrevem a mulher amada.
- (D) Incorreta. Trata-se de uma definição abstrata do amor, sem narrativa.
Dica de estudo: Quando um verso junta duas ideias que se excluem («contentamento descontente»), está perante um paradoxo construído a partir de uma antítese.
Questão autoral da Neves Scholar IA, elaborada com base nas Aprendizagens Essenciais (DGE); não é item de exame nacional.
11.º ano · Educação Literária
Exemplo 2: Eça de Queirós, Os Maias
Em Os Maias, episódios como o jantar no Hotel Central e as corridas no hipódromo servem sobretudo para
- (A)revelar a Carlos o parentesco que o liga a Maria Eduarda.
- (B)criticar a sociedade lisboeta, provinciana e imitadora do estrangeiro.
- (C)elogiar a modernização económica e cultural do país na época da Regeneração.
- (D)apresentar a infância de Carlos em Santa Olávia e a sua educação inglesa.
Ver resposta e resolução
Opção correta: (B) criticar a sociedade lisboeta, provinciana e imitadora do estrangeiro.
Os Maias articulam uma intriga principal (os amores de Carlos e Maria Eduarda) com a crónica de costumes. Episódios como o jantar no Hotel Central, as corridas, o jantar dos Gouvarinho, o jornal A Tarde e o sarau da Trindade retratam, com ironia, as elites lisboetas: superficialidade, imitação do estrangeiro e atraso cultural.
- (A) Incorreta. A revelação do parentesco pertence à intriga principal e acontece noutros momentos do romance.
- (B) Correta. Estes episódios compõem a crónica de costumes, que dá sentido ao subtítulo «Episódios da Vida Romântica».
- (C) Incorreta. O olhar do narrador sobre essa sociedade é irónico e crítico, não elogioso.
- (D) Incorreta. A infância e a educação de Carlos são narradas em analepse, noutra parte do romance.
Dica de estudo: Distinga, em Os Maias, a intriga principal da crónica de costumes: cada episódio de costumes retrata um setor da sociedade.
Questão autoral da Neves Scholar IA, elaborada com base nas Aprendizagens Essenciais (DGE); não é item de exame nacional.
12.º ano · Gramática
Exemplo 3: Valor aspetual
O Rui costumava ler o jornal ao pequeno-almoço.
Nesta frase, a situação descrita tem valor aspetual
- (A)perfetivo.
- (B)habitual.
- (C)iterativo.
- (D)genérico.
Ver resposta e resolução
Opção correta: (B) habitual.
O aspeto diz respeito à forma como a situação é perspetivada no tempo. A perífrase «costumar + infinitivo» exprime uma situação habitual, típica de um indivíduo num período de tempo.
- (A) Incorreta. O valor perfetivo apresenta a situação como concluída (por exemplo, «leu o jornal»).
- (B) Correta. A perífrase «costumava ler» apresenta a situação como um hábito do sujeito no passado.
- (C) Incorreta. O iterativo indica repetição num intervalo delimitado (por exemplo, «bateu várias vezes à porta»).
- (D) Incorreta. A situação genérica é válida em geral, sem sujeito particular (por exemplo, «Os gatos miam»).
Dica de estudo: Distinga habitual (hábito de um sujeito), iterativo (repetição em intervalo limitado) e genérico (verdade geral).
Questão autoral da Neves Scholar IA, elaborada com base nas Aprendizagens Essenciais (DGE); não é item de exame nacional.
Pratique as restantes no banco de questões, com sessão iniciada.
Como estudar Português
Faça fichas por obra, não por resumo
Para cada obra obrigatória, registe as personagens, os temas, as marcas do género e duas ou três passagens que saiba explicar. É isso que permite responder a perguntas sobre excertos que nunca viu.
Treine a gramática com frases suas
Classificar orações e funções sintáticas em frases inventadas por si é a melhor forma de perceber os testes (substituição por «lhe», presença de antecedente, transformação de nome em verbo).
Não troque a escrita pela escolha múltipla
Os itens de escolha múltipla treinam a leitura e a gramática, mas o exame inclui também texto escrito. Reserve tempo semanal para escrever e reveja a estrutura, a coesão e a correção linguística.